quarta-feira, 27 de março de 2013

PARQUE DO ZIZO - UM FIM DE SEMANA COMPLETO

Tietinga (Cissopis leverianus) - presença obrigatória nos comedouros
Esta é a 3ª postagem que faço sobre o Parque do Zizo,localizado em S. Miguel Arcanjo / SP, mas é a primeira vez que fico hospedado no local pois nas vezes anteriores optei pelo Day-Use.Por isto mesmo é que tenho o Dever de relatar esta experiência impar e altamente recomendada!
Vamos começar esclarecendo algo muito importante sobre o clima local, afinal as pessoas podem se desanimar ou até se frustrar com o fato de que lá chove bastante (e chove mesmo!), mas este tipo de floresta é conhecida em inglês como "rainforest" ou na tradução literal "floresta chuvosa" e é exatamente isto que dá ao local suas características únicas de Flora e Fauna, portanto vá para lá sabendo que chover no local é NORMAL!

Uma fina garoa contrasta com o verde das matas, criando uma constelação de estrelas na frágil Teia da Aranha.
Vencido este aspecto inicial você estará pronto para se maravilhar com uma avalanche de informações, imagens e descobertas que lhe aguardam em cada minúsculo ponto do local, mas também na imensidão do mesmo, pois saiba que você esta em um dos poucos locais no país que ainda abrigam florestas de Mata Atlântica primária.

Minúsculas flores que abrigam um Universo de detalhes
Cuidado onde senta...
Espécie de Orquídea nativa do local

Bromélias são presença constante em todas as trilhas e
nos arredores da pousada


A proposta desta viagem surgiu como a primeira atividade oficial do GRIFOO para o ano de 2013 e sua aceitação foi unanime no grupo, afinal haviamos visitado o local em julho de 2012 e mesmo fazendo apenas um day-use, com chuva e frio que nos obrigaram a permanecer nos comedouros apenas, tivemos uma experiência que marcou a todos.

Você já viu um comedouro como este?
Definida a data, feita a proposição e esta aceita pelo grupo, definimos então que contrataríamos os serviços de um guia profissional e especializado no local.Optamos pelo excelente Octavio Campos Salles que além de grande fotógrafo e guia experiente é também um profundo conhecedor do local, portanto altamente recomendado!
Ouso até afirmar que a contratação de um guia é algo imprescindível! Pois por conhecer as trilhas e as espécies que ali habitam ou frequentam, as chances de avistamento de aves relativamente raras é muito maior.

Da esquerda para a direita - Dú Nyari, eu, Octavio,Elvio (sentado), Ubaldo,Gustavo e Danilo
DIA 22 DE MARÇO - A CHEGADA

Combinamos com o Chico e com o Octávio que chegariamos na sexta-feira por volta de 15hs e que já estariam nos aguardando no estacionamento da reserva com a mega-blaster-super Veraneio 4x4 para o transporte das malas e equipos., além de alguém que porventura não quisesse fazer o trajeto até a sede a pé.Mas todo mundo optou pela descida caminhando e lá foi o Chico com as malas - e preciso aqui fazer uma nota sobre isto - vocês precisavam ver a mala do Elvio!
Ou ele iria ficar lá por uns 45 dias ou então estava levando algum hospede clandestino lá dentro...
O fim de semana já começou com boas risadas!

A mala para viagens internacionais...
Foto:Dú Nyari

Ainda não estava chovendo neste dia e pudemos fazer o percurso sem grandes problemas - menos o Dú Nyari que levou uns 47 escorregões e sagrou-se campeão nacional de ski-bunda, modalidade barranco escorregadio!
Chegando na pousada, cada um escolheu o seu quarto ficando  02 pessoas em cada um.Recebemos as recomendações básicas sobre estar hospedado na floresta ( anfíbios e aranhas são comuns, portanto mantenham as portas fechadas) e você acaba tendo a 1ª constatação de que esta em um local totalmente preservado e distante da "civilização" quando começa a procurar pelo interruptor para acender a lampada do quarto, mas o que você encontra é um candelabro de parede com...UMA VELA!
O quarto é bem simples, rústico até, mas as camas são muito confortáveis, lençóis limpos e perfumados (interessante que não tem aquele cheiro de mofo, característico de locais muito úmidos), um banheiro com uma ducha fortíssima, usando aquecedor a gás e só! Não precisa de mais nada!
No item banho tenho um comentário importante para fazer! A água é muito forte, com boa pressão e ao ligar a água quente você apanha um pouco até equilibrar a temperatura da mesma.Logo de cara já tive uma experiência traumática, pois estava frio e a água pelando de quente, sendo que fiquei fora do chuveiro aguardando que a mesma esfriasse.Neste momento bate aquela rajada de vento e aquela "mardita" cortina do Box gruda em minha região posterior...e tava mais gelada que coxinha de rodoviária! Resultado: pulei na água que estava queimando e voltei pra cortina gelada e grudando na buzanfa...uma cena ridícula.Ainda bem que ninguém estava vendo.
Bom...mas voltando a nossa chegada, equipamentos em mãos e corremos para os comedouros, afinal já estava um pouco tarde e não daria para fazer nenhuma trilha, talvez algo nas imediações da sede e uma corujada ao anoitecer.

Ubaldo e Danilo - montagem dos equipamentos

O "novato" Elvio, sempre querendo aprender mais.

Ubaldo em sua pose característica com os óculos na boca - marca registrada- e o Gustavo
logo atrás na conferencia.

A visão de um comedouro
A noite chegou rápido e o maravilhoso cheiro da comida sendo preparada fez com que permanecêssemos nas imediações da cozinha, com a desculpa de que estávamos cansados da viagem.Logo o jantar foi servido e os últimos vestígios de civilização desapareceram - parecíamos lobos atacando uma presa.Mas foi só neste dia, depois a coisa melhorou e ninguém mais mordeu as panelas e lambeu os pratos na mesa.

Momentos de tensão! Guerrilheiros das Farcs ameaçavam executar este fotografo caso
as "Tia da cozinha não liberassem a bóia".
Foto: Dú Nyari

Saímos então para corujar nas imediações da pousada, em busca da Corujinha-Sapo, do Caburé-miudinho e da Murucututu de bariga amarela, mas apenas esta última respondeu ao play-back, respondeu mas não deu as caras...
Voltamos  a sede e mesmo com os protestos de alguns marmanjos que não se conformavam em perder a novela, ficamos sentados sob um céu que se alternava entre estrelado e nublado, conversando e contando histórias, rindo e se conhecendo melhor, fortalecendo laços e criando novos amigos.
Todo mundo cansado e vamos nos recolher imersos em um Silêncio fantástico - bom...não no meu caso, pois no meu quarto tinha uma motoserra ligada durante toda a noite!Pensei até em dormir lá fora, mas resolvi não participar da sessão de acupuntura com os milhares de pernilongos do local.

DIA 23 DE MARÇO - MUITA CHUVA

O dia amanheceu completamente diferente, com uma garoa constante e uma neblina leve cobrindo os morros que nos cercavam.Após um lauto café da manhã, ficamos em um dos comedouros aguardando alguma melhora no tempo, afinal tínhamos conosco um OTIMISTA nível pró-master, o Gustavo, que esperava ansiosamente pela chegada do Sol para que pudesse usar o seu protetor solar.
Não demorou muito para que diversas espécies de aves começassem a chegar e a garantir belíssimos registros.

Saíra-militar (Tangara cyanocephala) - verdadeiros bandos chegam nos comedouros


Benedito-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons)

Quando a chuva dava uma pequena trégua o Octávio - sempre atento ao menor ruído vindo da mata que nos cercava - soltava um play-back e logo tínhamos também alguma espécie que não frequenta os comedouros, mas que chegava bem perto, em locais tão abertos que ninguém acreditava.

Tangarazinho(Ilicura militaris) - chegou a poucos metros do comedouro



Ficamos por alí até a hora do almoço e após uma nova e deliciosa refeição aproveitamos a pequena trégua na chuva e resolvemos fazer uma trilha curta, em busca principalmente da Maria-leque-do-Sudeste.

Todo mundo fotografando, menos o Dú que emprestou a câmera
pro Octávio nos fotografar

Infelizmente não tivemos muita sorte em encontra-la e na volta acabamos criando uma nova modalidade  audio-visual para atrair aves, fizemos uma fusão entre cosplay e playback, ou seja eu me disfarçaria de Maria-leque-do-sudeste e o Gustavo faria o som...cantando a tal da "música" lek-lek-lek!!!
Neste instante pude ver através do olhar triste do nosso competente guia o seguinte pensamento:" O que eu estou fazendo aqui com estes caras???"

Eu fazendo "cosplay" enquanto o Gustavo cantava o tal do "Lek-lek-lek".
Acabou ficando como o registro de uma nova espécie, o "Mario -leque-do-Nordeste".
Foto: Dú Nyari

A chuva não parou mais e desta forma não pudemos tentar uma nova corujada, ficando apenas em mais uma animada conversa a luz dos lampiões.
Em determinado momento a conversa estava até que em um bom nível, quando inesperadamente o nosso amigo Gustavo solta a perola de que vem da cidade de Santa Barbara D´Oeste, local onde "chove peixes".
Aquele momento de silêncio profundo e alguém resolve confirmar se é isto mesmo que ele disse...e ele confirma!!! Disse que saiu em todos os jornais e noticiários locais que um avião de carga havia deixado escapar parte de uma carga de Sardinhas e Cavalinhas congeladas e que estas haviam caído em cima de casas e pessoas em um bairro daquela cidade. Bom...teve gente que caiu sentado de tanto rir e começaram as "estórias" mais absurdas possíveis.
A esta altura eu já podia ver também a cara do Chico pensando:" O que eu estou fazendo aqui com estes caras?"
Se alguém quiser saber o que REALMENTE ocorreu clique aqui e veja a matéria divulgada.

DIA 24 DE MARÇO - O FINAL DA AVENTURA

Após mais uma noite tentando dormir com uma serraria inteira dormindo na cama ao lado, acordamos com o tempo um pouco melhor, embora ainda nublado parecia que a chuva iria parar e alguns pedaços de céu azul já podiam ser vistos entre as nuvens.Tomamos o nosso café da manhã rapidamente e logo partimos para a Trilha do Passarinheiro onde o Octávio iria também aproveitar para inspecionar a armadilha fotográfica instalada no local, a poucos metros de uma arvore com várias marcas de garras de uma onça parda, assídua frequentadora do local.

A arvore com as marcas de garras da Onça parda.
Foto Dú Nyari

A trilha estava um pouco escorregadia - devido as chuvas constantes - para ser percorrida com um tripé nas costas, além de uma teleobjetiva que já pesava 36 quilos a esta altura, portanto não me importei muito em conseguir fotografar todas as espécies que cruzaram o nosso caminho(assim que possível vou comprar uma 100/400mm para estas ocasiões).

A foto oficial do grupo em plena trilha.
Foto: Octavio C. Salles, com a câmera do Dú Nyari



Cuspidor de mascara preta fêmea (Conopophaga melanops)

Samambaias em P/B

Danilo Castilho

Gustavo Pinto

Dú Nyari


De volta a sede resolvemos aproveitar que ainda não estava chovendo e fomos até a ponte sobre o rio Tangará, logo na entrada do parque.Novamente fomos surpreendidos por varias espécies que assim como nós pareciam estar aproveitando ao máximo a parada na chuva.

Dú Nyari - foto: Danilo Castilho

Ubaldo - foto: Danilo Castilho

Elvio - foto: Danilo Castilho

Folhagens e flores podem ser vistos em todo o caminho

Surucuá-de barriga-amarela (Trogon rufus)


Tangará dançarino (Chiroxiphia caudata)
Fomos acompanhados pelo Chico que nos falou sobre algumas melhorias previstas no local, entre elas a construção de uma nova ponte de pedras, estilo romana e a melhoria no acesso até a sede.Por um lado vai facilitar a vida de muita gente mas por outro vai por um fim a uma das etapas mais emocionantes da viagem...a subida até o estacionamento a bordo da Veraneio 4x4 - ou então como aconteceu comigo anteriormente em um episódio que já se tornou lenda entre os habitantes locais e é contado nas escolas da região para assustar as crianças que não se comportam, fazer este trajeto agarrado ao banco do velho trator (quando estiver por lá, peça para ver as marcas dos meus dedos na chapa metálica do assento).

Portal do parque - da esq. para a direita: Danilo, Octávio, Dú, Elvio, Ubaldo, Pompeo e Gustavo
De volta a sede encontramos um comedouro lotado e enquanto aguardávamos o almoço aproveitamos para melhorar alguns registros de espécies já fotografadas, mas como sempre fomos contemplados com novas espécies que ainda não tinham aparecido.Quem resolveu dar as caras por lá foi um Gaturamo-verdadeiro, seguido por alguns Guaxes que até então pareciam estar um pouco tímidos.



Saíra-militar(Tangara cyanocephala)

Saíra Sete-cores (Tangara seledon) e Saíra-militar (Tangara cyanocephala)

Tietinga (Cissopis leverianus)

Tietinga (Cissopis leverianus)

Guaxe (Cacicus haemorrhous)

Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea)
 Almoço pronto, todos se sentando e já dando aquele sentimento de que "amanhã é segunda-feira" - o mesmo que todos sentem quando ouvem a musiquinha do Fantástico - quando ouvimos um som diferente daqueles que até então frequentavam os comedouros e logo fomos avisados pelo Octávio da aproximação de Tiribas de Testa Vermelha. Agora era um olho no comedouro e outro no prato (sério gente, o Gustavo furta mistura do prato) e não demorou muito para que largássemos tudo e corrêssemos para as câmeras, pois algumas destas aves fantásticas haviam se aproximado e estavam esperando o melhor momento para descerem ao comedouro.

Tiribas de testa vermelha (Pyrrhura frontalis) - um show da Natureza
E foi isto caros amigos, fechamos a nossa aventura com chave de Ouro, ou quase...faltava ainda aquele momento tão aguardado por todos...a subida até o estacionamento!
Alguns disseram que preferiam subir a pé pois ainda tinham muita energia para queimar, outros alegaram razões fratulênticas para não entrar no veículo e outros ainda admitiram estar apavorados com a ideia e desta forma fomos apenas eu, Elvio e o Octávio juntos com o Chico e muitas malas (inclusive a do Elvio que ocupava 43,6 % do espaço interno da Veraneio.

Ubaldo e Gustavo na subida até o estacionamento.
Foto:Dú Nyari

A subida triunfal - reparem nas mãos do Elvio e do Octávio agarradas ao veículo, eu não precisei disto pois estava
soterrado por malas e equipamentos.
Foto: Danilo Castilho
Pode ser que para algumas pessoas uma viagem como esta não seja um modelo de observação de Aves ou que não tenhamos dado a seriedade necessária a tal evento, mas devo dizer que para nós que participamos,ocorreu da melhor forma possível! Não estamos em nenhuma disputa para ser o melhor fotógrafo ou o Top-Lifer no Wikiaves, queremos mesmo é Fotografar a nossa Natureza em todas as suas manifestações, admirar suas criaturas e acima de tudo, poder fazer tudo isto na companhia de amigos sinceros e divertidos, pessoas que sempre iremos querer como companheiros em qualquer ocasião.
E o parque do Zizo é um local ideal para isto!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

PARQUE CARLOS BOTELHO- S. MIGUEL ARCANJO

Portaria do parque Carlos Botelho- entrada por S. Miguel Arcanjo
No dia 26 de janeiro resolvi fazer algo que a muito tempo não tinha a oportunidade de fazer...iria sair sozinho com minha esposa e conheceríamos o Parque Estadual Carlos Botelho, aproveitando na volta para conhecermos as vinícolas de S. Miguel Arcanjo, município distante aprox. 60 km de Sorocaba/SP.
Combinamos que caso fosse possível faríamos uma trilha no parque e eu iria me comportar, não levaria toneladas de equipamento fotográfico e nem ficaria horas parado em um mesmo ponto, tentando fotografar alguma minúscula ave - que sempre tem algum nome bem sugestivo, como pula-pula ou arredio "alguma coisa" - dedicando este passeio a caminharmos pela trilha, observando a natureza em todas as suas manifestações e aproveitarmos este tempinho juntos para relembrar nossos áureos tempos de trilheiros.
Saímos  cedo de Sorocaba com um tempo alternando entre Sol e algumas nuvens, mas chegamos ao parque com o tempo bem fechado parecendo que choveria a qualquer momento.

O acesso ao parque é muito tranquilo, chegando em S. Miguel Arcanjo pela SP 264 e seguir sentido Sete Barras pela Rod. Nequinho Fogaça - SP-139, mais 23 km até o Portal do Parque. A partir deste ponto a rodovia deixa de ser asfaltada e segue cortando o parque até o núcleo de Sete Barras distante 45 km dali.
Para mais informações de acesso consulte o site do parque.

Você pode percorrer o parque pela estrada com seu carro, parando nos diversos pontos de interesse encontrados pela mesma (Bica do rio Taquaral, Mirante, etc...) ou pode conhecer a sede do parque, com varias atrações muito legais.

Vista da sede do parque
Seguimos direto a sede onde fomos recebidos pela simpática atendente, a srta. Luana que nos informou sobre o funcionamento e sobre as condições para se visitar o parque.É cobrado um ingresso de R$ 6,00 por pessoa, sendo que crianças até 06 anos e idosos acima de 60 anos são isentos da taxa, estudantes pagam meia, mas como nenhum destes era o nosso caso, pagamos o ingresso e fomos conhecer algumas das atrações do local.

Neste ponto preciso fazer um parenteses pois já visitei outros parques onde tive que pagar ingresso e não vi nada onde pudessem dizer que estava sendo usado o dinheiro arrecadado.No parque Carlos Botelho o que vimos foi algo muito diferente! O local estava MUITO bem conservado e limpo, os funcionários estavam trabalhando em diversas funções e foram muito atenciosos e educados, os banheiros estavam limpos e tínhamos água em bebedouros.Em casos assim dá gosto pagar pelo ingresso, na verdade você sente que é um Dever!

O centro para recepção dos visitantes, com banheiros limpos e água .

Diversas atividades foram preparadas visando conscientizar  e educar os visitantes ( durante o período letivo  recebem uma média de 02 escolas por semana), usando para isto recursos visuais com fotos e informações sobre os principais habitantes das matas e sobre a Palmeira Jussara, seriamente ameaçada pelo extrativismo clandestino - pois é...aquele mega-palmito que nos comemos nas churrascarias, então, parece ser daí que ele vem!
Bom...mas voltando a sede do parque, uma atração muito legal é a Trilha das Bromélias com cerca de 200 mts de extensão, construída como uma passarela de madeira.Em seu percurso você poderá observar arvores nativas juntamente com orquídeas e as tais bromélias, que foram inseridas ali para que o visitante possa conhecer como estas espécies se relacionam, sem precisar entrar na floresta fechada para isto.

Diversos tipos de orquídeas são encontrados pela trilha

Logo na entrada fomos recepcionados por este Canário-da-terra

A trilha em formato de passarela atende a pessoas com necessidades especiais e cadeirantes.Uma boa iniciativa do local
Mas nós estávamos mesmo afim de fazer uma trilha e fomos informados pela Luana que o parque possui as seguintes opções:

       -        Trilha da Represa:
A trilha apresenta mata primária e secundária em avançado estado de regeneração, com várias nascentes e diversas espécies da flora, e uma bela represa ao final do trajeto.
Percurso: 2 Km
Tempo aproximado: 1h30min
Nível de dificuldade: baixo
Valor cobrado: R$ 10,00 por pessoa (máximo de 45 pessoas)
     -        Trilha Represa/Fornos: (Programa Trilhas de São Paulo)
Oferece um componente cultural diferenciado: ruínas de cinco fornos de carvão, que datam da época em que a madeira da floresta era retirada para tal fim.
A mata é secundária em estado avançado de regeneração.
Percurso: 4 Km
Tempo aproximado: 3h
Nível de dificuldade: médio
Valor cobrado: R$ 15,00 por pessoa (máximo de 45 pessoas)
-        Trilha da Canela
Com vegetação secundária, apresenta estágio avançado de regeneração, destacando-se as diversas espécies de canelas no seu percurso.
Percurso: 2 Km
Tempo aproximado: 1h30min
Nível de dificuldade: baixo
Valor cobrado: R$ 10,00 por pessoa (máximo de 45 pessoas)
-        Trilha do Rio Taquaral - autoguiada
Localiza-se na Rod. Nequinho Fogaça - SP-139 próxima a Sede, em São Miguel Arcanjo.
Com vegetação secundária, a trilha leva até o rio Taquaral, onde há espaço para piquenique e banho (rio e bica).
Percurso: 1,5 Km
Tempo aproximado: 1h30min
Nível de dificuldade: baixo
Valor cobrado: SEM CUSTO
-        Trilha do Braço do Rio Taquaral 
Esta trilha tem seu valor centrado na qualidade dos ambientes típicos de mata ciliar de encostas e alta umidade. Na maioria do seu percurso caminham-se as margens do rio Taquaral, passando por vários morros e mirantes. É indicado apenas para grupos com no máximo cinco pessoas, sendo que estas devem estar em boas condições físicas.
Conta com uma vegetação primária e secundária com alto grau de regeneração e de conservação, protegendo nascentes cristalinas que alimentam o rio Taquaral.
Apresenta locais propícios para banho.
Necessário agendamento com no mínimo 05 dias de antecedência. Sendo que a trilha poderá ser cancelada pelo Setor de Informações e Agendamento, caso ocorra chuva nos dias anteriores e / ou se os visitantes chegarem após o horário estipulado pelo setor de visitação pública.
Percurso: 10 Km
Tempo aproximado: 6h
Início da trilha: 09h (horário máximo permitido)
Nível de dificuldade: alto
Valor cobrado: R$ 25,00 por pessoa (máximo de 5 pessoas)
-        Trilha do Portal
Com inicio na Pousada Portal da Reserva, passando por uma área com a mata muito bem preservada e chegando até a Sede do PECB.
Percurso: 12 km
Tempo aproximado: 3h
Nivel de dificuldade: médio
Valor cobrado: agendamento e valor com a Pousada do Portal da Reserva.

  Após uma analise detalhada -que durou quase 12 segundos - sobre nossa condição fisica,optamos pela trilha  do rio Taquaral, com aprox. 1500 mts, nivel baixo de dificuldade e auto-guiada,ou seja você
não precisa de monitor para percorre-la.
Fomos acompanhados até o inicio da trilha pela nossa recepcionista e seguimos as indicações que iam surgindo no caminho.
Logo no início da trilha fomos recebidos pelo Caneleiro de chapéu preto (Pachyranphus  validus)

Mas quem disse que uma trilha por ser classificada como baixa dificuldade não oferece perigos para aqueles que se aventuram nela?
Em determinado ponto da trilha - enquanto caminhavamos silenciosamente- a Mônica me parou com um gesto de sua mão e indicou para uma pequena palmeira que estava na borda do caminho.Ficamos espantados pois um verdadeiro exécito de formigas subia por alí, eram tantas que não se enxergava a cor do tronco da mesma.Olhei para o outro lado e vi uma folha de palmeira caida ao chão e a mesma estava também coberta pelo mesmo tipo de formiga, em um movimento frenetico e ininterrupto.
Ficamos ali por alguns minutos (ou seriam segundos?) observando aquela maravilha quando quase que ao mesmo tempo tivemos um insight: " Se elas estão saindo da folha a nossa direita e estão se dirigindo a palmeira na nossa esquerda, isto significa que...estamos BEM NO MEIO DO CAMINHO delas!!!"
Nossos pés e parte das pernas já estavam tomados por dezenas de formigas - que já não pareciam tão belas assim -  e saímos correndo e gritando,batendo os pés e se sacudindo, espantando qualquer animal que estivesse em um raio de 7,6 kilometros dali.

Olha a cara de susto por causa da invasão das formigas ligeirinhas.

Mas não foi nada grave, a Mônica levou uma picada no pé apenas e foi mais o susto,que foi seguido depois por muitas risadas.

Paredes cobertas por Samambaias nos acompanham por quase todo o trajeto.

Seguindo pela trilha chega-se a um ponto onde a mesma se divide em duas e existe uma placa indicando "Prainha" para um lado e "Bica" para o outro.

Pequeno curso d água que desemboca no rio Taquaral


A partir deste ponto segue-se margeando o rio Taquaral


Totalmente acabado...

Seguimos em direção a Bica e fomos margeando o rio Taquaral por alguns metros até chegar a uma pequena área com alguns quiosques, banheiros e a tal bica com uma água super refrescante que caía em abundância.

O rio Taquaral em P/B

Na ocasião havia uma família usando o quiosque para um churras, mas a despeito dos avisos para não usarem equipamentos de som em volume alto, rolava aquele pagode-afro-sertanejo-funk supletivo(sim pois ninguém que fosse Universitário conseguiria compor (????) algo daquilo) em um volume considerável.

Fotinha romântica na bica...bem, na verdade estamos nos escorando para não cair de cansaço.

Após nos refrescarmos e reabastecermos de água retornamos a sede do parque, agora vindo pela estrada.
A paisagem é maravilhosa pois haviam Manacás-da-Serra espalhados por todos os cantos, mesclando o verde da mata com tons de rosa, lilás e branco de suas flores.



De volta a sede nos despedimos da atenciosa Luana, para seguirmos até S.Miguel Arcanjo quando passam por mim 02 Beija-flores em um combate frenético.Não consegui identifica-los na hora mas vi que eram pretos,portanto corri até o carro para pegar a teleobjetiva e o tripé.Consegui fazer algumas fotos deste lifer para mim e era mesmo o Beija-flor preto.

Beija-flor preto (Florisuga fusca)

Embora tenha me comportado na trilha consegui fazer a foto de algumas espécies que insistiram em cruzar meu caminho,além de ter avistado outras que não deram chance para registro.

Tiê de topete fêmea

Flautin (Schiffornis virescens)

Cabeçudo (Leptopogon amaurocephalus)

Alguns dos muitos fungos encontrados pelo caminho

No momento em que guardava o equipo.e entrava no carro chegou aquela chuva que por toda  a manhã se anunciou e descemos a pequena serra sob uma intensa massa de água, passando pela entrada das vinícolas que estavam no caminho,seguindo direto para S.Miguel Arcanjo.
Por falta de informações acabamos não encontrando nenhum local bom para comermos (só depois é que fomos ler os folhetos oferecidos pela Luana e vimos que existia um mapa da cidade com as principais atrações e os locais indicados para se comer...daaahhhhhhh!), portanto acabamos comendo alguns salgados em um barzinho bem simples e voltamos para Sorocaba.
O parque merece um tempo maior para conhecer as suas belezas, curtir as suas atrações e registrar a grande diversidade de aves, plantas e animais que ali habitam portanto uma boa opção é hospedar-se em alguma das pousadas da área e agendar alguns passeios com o pessoal da administração, coisa que queremos fazer muito em breve, quem sabe no carnaval?

Para mais informações ligue para : (15) 3379-1477
ou se preferir enviar um e-mail: : pe.carlosbotelho@fflorestal.sp.gov.br