Fundado no final do séc. XIX pela antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o horto ganhou o nome de Horto Florestal Edmundo Navarro de Andrade em homenagem a esta pessoa que, no ano de 1914, trouxe dezenas de mudas de Eucalipto da Austrália.
No local existe hoje o Museu do Eucalipto, aparentemente funcionando na casa que abrigou este pesquisador e onde ficaram guardados os resultados de suas pesquisas.
O Museu do Eucalipto
Trilha com uma coleção de espécimes desta arvore
A partir de 2002 o local recebe a classificação de "Florestal" e passa a ser administrado pelo Instituto Florestal da Secretaria do Meio Ambiente.
Possui uma imensa área verde com a maior variedade de Eucalipto do país, além de diversas construções datadas do inicio do século XX.
Infelizmente, como em outros locais deste tipo, as construções estão em total condição de abandono, mostrando a falta de interesse na manutenção de nosso patrimônio histórico.
Apenas alguns prédios usados em atividades culturais e administrativas possuem algum tipo de manutenção.
Mas o grande atrativo do local é a sua extensa área verde, composta por diversas trilhas e por uma pequena estrada de chão que corta a floresta.
Muitas árvores de diversas espécies, além dos já citados Eucaliptos, atraem uma variedade de aves e pequenos mamíferos.
Dezenas de espécies de arvores margeiam as trilhas bem cuidadas do local.
Moitas de Bambus com dezenas de metros.
Flores, insetos e aves, o pacote completo!
Além disto, existe no local outra atração muito interessante. Trata-se de um grande lago repleto de plantas aquáticas e aves que ali habitam. Existe até a lenda de que no local já foi avistado um jacaré (na internet existem fotos do tal jacaré), mas alguns funcionários do local não acreditam nisto...
As margens deste lago encontram-se vários bancos de madeira, dispostos em um gramado onde frequentadores do local fazem aquela "farofinha" típica, mas existem recipientes para coleta de lixo espalhados por toda a área, além de avisos aos visitantes, alertando sobre o lixo a ser recolhido.
Um pouco mais a frente encontra-se outra atração do local, uma pequena capela (infelizmente não encontrei mais informações sobre a mesma) que na ocasião encontrava-se fechada e portanto não consegui fotografa-la internamente.
Para se chegar a capela é necessário caminhar por uma passarela de madeira, suspensa alguns metros acima do solo (em alguns trechos são apenas centímetros) e margeada em alguns trechos por um pequeno riacho.
Neste local é possível observar e fotografar diversas espécies de aves e insetos, nas arvores e arbustos que acompanham o trajeto.
A passarela que leva até a capela.
A passarela vista pela frente da capela
Existem ainda outras atrações e trilhas no local, que não pude explorar na ocasião mas que certamente devem render excelentes imagens e encontro com aves incríveis. Acredito que várias visitas sejam necessárias para se conhecer melhor o local.
O local é aberto todos os dias das 8 as 17h e dispõem de uma lanchonete (que parece funcionar apenas aos finais de semana).
Leve repelente para insetos (inclusive carrapatos) pois em alguns trechos nas trilhas o ataque é implacável.
Permitem o uso de câmeras fotográficas e você pode se cadastrar e receber uma autorização permanente para isto, basta preencher um formulário na administração e se for abordado por algum segurança, basta apresenta-la. Infelizmente esta autorização só é feita em dias da semana e no horário de expediente da administração do local.
Outras regras são estabelecidas visando a manutenção da ordem no local, tais como:
Não é permitido:
- Atividades com fogo
- Pescar , caçar, nadar, coletar ou danificar a vegetação
- Alimentar os animais
- Andar fora das trilhas ou abrir caminhos alternativos
- Causar danos ao patrimônio
- Utilizar aparelhos sonoros em alto volume
- Jogar lixo fora das lixeiras
- Velocidade acima de 30km/h
- Animais domésticos sem coleira ou guia
- Comercialização de produtos sem a autorização da Administração
- Fazer fotos para fins comerciais sem prévia autorização
- Desrespeitar os seguranças da Unidade
O endereço do local é Av. Edmundo Navarro,s/n - bem próximo a Antiga Estação de Trem, fácil de chegar e bem sinalizado o trajeto até o local.
A cidade de Rio Claro esta bem próxima de Limeira e Americana e distante aprox. 180 km de São Paulo, com acesso pelas rodovias Bandeirantes e/ou Anhanguera, finalizando na rodovia Washington Luis.
Depois de ter visto e admirado a obra do grande Sebastião Salgado em seu livro "Gênesis", fiquei com aquela inveja boa e comecei a fazer algumas incursões no terreno do Preto e Branco, ou apenas P&B, ou ainda B&P , para citar a forma como este gênio da Fotografia costuma se referir a esta categoria de fotos.
Iniciei meus testes usando alguns arquivos antigos, armazenados em formato RAW e com algumas ferramentas encontradas no Photoshop, porém os resultados ficavam muito fraquinhos, sem aquela dose de dramaticidade esperada.
Após algumas pesquisas na Web e em alguns livros sobre o PS, descobri que no plug-in Adobe Câmera RAW, existia uma área específica, destinada a conversões para P&B.
Novos testes e a cada nova imagem trabalhada a curiosidade aumentava mais, afinal os resultados eram surpreendentes! Depois vieram os testes com HDR e novas surpresas...
P&B na Adobe Câmera RAW e efeito HDR no PS.
Ainda estou fazendo novas experiências e descobrindo novas técnicas e ajustes, mas acho que posso compartilhar aqui alguns dos conceitos que já pude comprovar.
Antes de mais nada devo dizer que o Lightroom deve executar estas funções, mas eu NÃO trabalho ainda com este software e todas as minhas experiências foram feitas no Adobe Câmera RAW, o plug-in que acompanha as versões mais modernas do Photoshop, ok?
Outra coisa importante é que sempre fotografo em RAW e depois de trabalhada a imagem original, converto em algum formato como o TIFF ou JPEG, mas ainda mantenho o arquivo RAW, salvo e com as alterações executadas.
Mas vamos lá...ao abrir o arquivo em formato RAW você será automaticamente direcionado para o ACRaw em sua tela inicial.
Tela inicial do ACRaw (Adobe Câmera RAW)
Nesta fase é possível que se façam diversos ajustes na imagem, tais como Exposição, Brilho, Contraste, Saturação, etc, mas não vou abordar estas ferramentas agora, seriam necessários vários posts para tratarmos deste assunto. Vamos nos concentrar na Conversão para P&B e considerar que você já tenha feito os ajustes necessários em sua imagem.
Na aba de Ferramentas, logo abaixo do gráfico, existe um ícone chamado HSL/Grayscale, clique sobre ele.
Em seguida habilite a opção "Convert to Grayscale". A imagem deve ficar P&B neste instante.
Logo abaixo existem diversos comandos deslizantes, cada um representando e alterando individualmente uma cor específica.
Ao deslizarmos estes cursores para os dois extremos da escala, podemos clarear ou escurecer cada uma destas cores, caso a imagem original colorida as contenham, mas isto fica evidente agora na imagem em preto e branco. Complicado? Que nada! Veja este exemplo da imagem acima, vamos alterar apenas o cursor "BLUE", variando o mesmo para os extremos da escala.
Aqui o "BLUE" foi levado a -100%, escurecendo as partes que continham esta cor
Aqui o cursor foi levado a +100%, clareando as partes que continham esta cor. Veja a diferença nas paredes de tijolos, que originalmente eram iluminadas pela fria luz da manhã.
Viu só, nada complicado e já dá para começar a fazer muita coisa!
Vejamos agora outro exemplo, mas com uma cor bem definida...
Abra a imagem no ACRaw e siga as etapas anteriores.
Nesta imagem selecionada o Céu esta inteiramente azul.
Cursor "BLUE" em +100%, vejam o Céu como ficou.
Agora com -100%. Parece uma cena noturna.
Bom...com esta informação você agora pode começar a criar imagens verdadeiramente surreais, afinal podemos alterar livremente quaisquer das cores contidas em uma imagem.
Outro exemplo, agora com um contraste maior e uma cor predominante diferente.
Um por do Sol em P&B?
Aqui o canal "RED" em +100%
E com -100%...diferente né?
Em cima destas considerações tenho feito as minhas experiências e conseguido resultados interessantes.
Agora estou testando isto em imagens captadas com o uso de FILTROS (embora você possa inseri-los posteriormente no ACRaw), com o intuito de carregar determinadas cores no registro original, para poder depois trabalhar com as mesmas de forma mais intensa. Os resultados são animadores!
Também existe a possibilidade de se aplicar o efeito HDR Toning, existente no Menu -Image - Ajustments - HDR Toning - dentro do Photoshop. Alguns resultados são igualmente interessantes.
É isso pessoal, espero que seja útil e que consigam criar imagens interessantes!
O sábado amanheceu com um céu cinzento e encoberto por nuvens, mas ainda assim decidimos manter a nossa proposição de seguirmos até Guaraqueçaba.
Rumo a Guaraqueçaba...
Para mim o dia não começou muito bem, pois na noite anterior depois de nossa chegada ao alojamento, descobri estar com o pé direito cheio de bolhas (algumas já haviam estourado). Não sei exatamente o que ocasiona bolhas nos pés, já que o calçado não era novo, mas eu consegui me superar desta vez. Dava para lavar o carro com a água acumulada em meus pés!
A partir daí virei o "manquetola" da turma, sempre chegando por último e depois das aves já terem se mandado do local...sniff, sniff!
Café da manhã na casa do Jurandir
Para agilizarmos o processo decidimos tomar o nosso café da manhã na casa do Jurandir, no caminho entre a Reserva e a estrada para Guaraqueçaba. Embora eu não coma bananas, o pessoal curtiu muito uns bolinhos de banana, fritos em uma massinha doce. Teve gente que pediu até a receita.
O pier em Guaraqueçaba
Chegando na cidade pudemos comprovar algo que haviam nos contado anteriormente. A entrada da cidade esta interditada devido a uma disputa política e tivemos que fazer vários desvios por ruas secundárias, para enfim chegarmos a um local, onde segundo o nosso guia encontraríamos o Savacu-de-coroa.
A maré estava muito baixa e a água havia recuado dezenas de metros. Mas logo pudemos ver os primeiros exemplares caçando no lodo deixado pela maré baixa.
Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)
Todo mundo querendo garantir a sua foto, quando o Luciano nos avisa que em cima do pier haviam diversas aves e que poderíamos ainda nos aproximar mais.
Todo mundo correndo, menos eu que estava manquetola...
Mas realmente eles ficaram quietinhos pousados no pier e ainda deram um show para as fotos. Teve sequencia de voo, Bico aberto, fechado, abaixado, em dupla,etc...
Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)
Foi muito emocionante estar ali, a poucos metros destas aves e poder registra-las com tanta facilidade.
Aproveitamos para conferir os resultados e para fazer a foto da turma reunida.
Da esq: Pompeo, Vilela, Danilo, Luciano, Ubaldo, Peterson, Dú e Gustavo
Neste momento o nosso amigo Peterson lembra que ainda não tínhamos feito nenhum vídeo de nossa viagem, pelo menos nenhum com a turma. Sugeriu então que fizéssemos um Harlem Shake!
Legal, fantástico, supimpa, pândego........................mas o que é Harlem Shake????
Ninguém (além dele é claro) tinha visto isto e como iriamos fazer a coreografia. Nem a música nós tínhamos.
Depois de algumas explicações resolvemos tentar e ver o que dava. O Peterson seria o maestro da vez!
Bom...tentem imaginar a reação das pessoas do local ao verem um bando de barbados, dançando freneticamente em cima de um pier e sem música alguma!
Não me lembro de ter dado tanta risada assim em nenhuma outra ocasião recente.
Posteriormente, durante a edição do vídeo, constatamos que a coreografia não estava casando com a música original e aí veio a grande sacada de usar outra música. Esta sim combinava com o nosso perfil.
E nosso vídeo acabou ficando SUPER ORIGINAL, criamos o "Harlem-passari-shake"!
Na volta para a reserva surgiu uma nova ideia. Comemorarmos a nossa viagem com um churras de despedida. Passamos então no único mercado do local para comprarmos os ingredientes necessários.
Na sessão de carnes nós levamos um susto. Havia uma placa de oferta com " Filé Mignon por R$ 14,99"
Tinha gente querendo comprar uma caixa de isopor para trazer a carne para casa!
Na hora do pedido o açougueiro aparece com uma peça de carne enorme, com osso e tudo! Acabamos de aprender que cada parte do boi tem nomes diferentes em localidades diferentes.
Algumas paradas no caminho de volta a reserva e vamos almoçar, pois na parte da tarde iriamos conhecer a atração que dá o nome a Reserva, o Salto Morato.
Vários brejos e alagados da região foram transformados em pasto para a criação de Búfalos, e desta forma é muito comum vê-los pelo caminho. Em uma de nossas paradas fomos até acuados por um destes valentões. Melhor não contrariar...
Já a poucos metros da portaria da reserva, paramos para observar um ninho de Tucanos quando nosso guia começa a nos reportar sobre outras espécies na área.
Em um espaço de poucos metros pudemos ver, ouvir e fotografar diversas aves, entre elas a Araponga, Gralha azul, Tiê do Mato-Grosso e um lifer para todo o grupo, o Pica-pau bufador!
Pica-pau-bufador (Piculus flavigula)
Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus)
E como nem só de aves nossas lentes se alimentam, aproveitamos também para registrar esta bela Lagarta-pinheirinho.
Almoço de despedida com a turma do Jurandir e vamos para a cachoeira de Salto Morato! Bom...eu mancando atrás, né?
Desta vez não levei a teleobjetiva e me determinei a apenas fotografar a paisagem, afinal carregar duas câmeras e mais um monte de lentes, com o pé em carne viva devido as bolhas, é coisa de masoquista!
Primeiro uma parada no aquário, onde nossos amigos aproveitaram para se refrescar.
Gustavo, Peterson e Danilo sensualizando na web!
Faltou relatar que em função do feriado prolongado, havia um grande numero de visitantes na reserva, do gênero que pode ser descrito como "Turista Ocasional com ocorrência maior aos finais de semana, e que prove a si mesmo e ao grupo do qual fazem parte, de alimentação a base de farináceos, especiarias e miúdos" ou simplesmente FAROFEIROS!
É claro que o ruido nas trilhas já não era apenas do canto das aves e da água correndo, mas a presença de funcionários nestes pontos garantia um certo controle da massa.
E novamente mancando consegui vencer a parte restante da trilha, para poder enfim contemplar esta maravilha da Natureza, aqui em nosso querido país.
A cachoeira de Salto Morato
Uma cachoeira com aprox. 110 metros de queda, emoldurada por uma vegetação exuberante e que desemboca formando um pequeno e límpido riacho.
Para falar a verdade, eu nem sei mais se havia alguma ave nas redondezas, tamanha era a beleza daquela cena.
Aproveitamos para registrar o local e a nossa passagem por ali também!
Foto feita com 10 seg. de exposição. Difícil é ficar parado e nem mesmo piscar.
Este é um ser iluminado! Sempre meditando sobre as questões do Universo...
É nóis de novo!
Ficamos um bom tempo no local, alguns amigos aproveitaram para se refrescar novamente e depois que todos já haviam partido, começamos a nossa volta para o alojamento ( e eu mancando). Faltava o churras de despedida e arrumar as coisas, pois sairíamos bem cedo, rumo a Morretes. Lá nosso guia pretendia nos mostrar algumas jóias do local.
Naquela noite a chuva veio com vontade e embora não tenha chovido forte, a mesma foi constante e pela manhã ainda caia uma leve garoa.
A estrada que na vinda era puro pó, agora havia mudado. No lugar do pó haviam poças de água barrenta e muitos buracos que foram descobertos pelas enxurradas.
O jeito foi fazer o trajeto bem devagar, tentando desviar das enormes pedras que surgiam no pavimento.
Em determinado trecho nosso amigo Gustavo se descuidou e acabou batendo em uma destas pedras, danificando o protetor do cárter.
Parados para tentar remediar a situação, ele pergunta se alguém teria uma chave fixa de 10mm. O Danilo responde: "Pode ser esta?"
Para a surpresa de todos havia uma chave destas, abandonada na estrada, bem onde eles haviam parado o carro! Quando eu digo que a Sorte nos acompanha, parece frescura né?
De volta ao caminho, só que agora andando bem mais devagar e com cuidado redobrado, tivemos ainda uma nova surpresa. Bem na nossa frente acabara de passar um Jaó-do-sul.Paramos para tentar vê-lo e fotografar o mesmo, mas o que acabamos por presenciar foi uma dança de Tangarás, cortejando uma fêmea.
Só isto já valeu a viagem!
Vista panorâmica a partir do mirante.
Uma rápida parada no mirante, uma foto da turma e uma panorâmica da vista e seguimos viagem para Morretes. Faltava agora encontrar e fotografar o Topetinho Verde e o Rabo branco pequeno.
No caminho ainda pudemos ver um ninho raro de uma Andorinha e melhorar os registros do Trovoada.
Trovoada (Drymophila ferruginea)
Nosso guia nos levou por uma pequena via com chão de terra e em determinado ponto pediu para que parássemos.Um rápido play-back e eis que surge o Rabo-branco-pequeno.
Rabo-branco-pequeno (Phaethornis squalidus)
Mais algumas centenas de metros e chegamos a um pequeno sítio, com um casal muito simpático. No local havia uma casa bem simples, mas cheia de bebedouros para Beija-flores. E alí estavam os Topetinhos-verdes!
Topetinho-verde
Beija-flor-cinza
Beija-flor-preto
Devido a chuva e a nosso horário apertado, ficamos pouco tempo alí, mas eu gostaria de passar uma manhã inteira neste local incrível e poder fotografar com qualidade estas verdadeiras jóias aladas.
Voltamos para a cidade, almoço com o tradicional Barreado e a despedida de nosso corajoso guia. Afinal, aguentar guiar um bando de malucos como este é para poucos!
Mas para nós foi mais uma viagem marcante. Não apenas pelas espécies registradas ( ainda não tenho o número total do grupo), mas também pelas pessoas que conhecemos, pelas maravilhas que pudemos ver e pelas experiências que guardaremos em nossos corações.
Um grande abraço a todos que de alguma forma participaram conosco desta aventura!