sábado, 10 de novembro de 2012

PANTANAL DE MATO-GROSSO- UMA AVENTURA PELA TRANSPANTANEIRA



Acredito ser muito difícil descrever em poucas linhas e com algumas imagens uma aventura como esta, afinal para mim representa a concretização de mais um sonho que me acompanha desde a infância,mas tentarei relatar da forma mais objetiva possível os pontos mais significativos da mesma.
O Pantanal é considerado a maior planície alagada do planeta, compreendendo parte dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de parte da Bolívia e Paraguai.Sua biodiversidade é fascinante contendo mais de 650 espécies de aves, 80 de mamíferos,50 de repteis, além de centenas de especies de peixes e insetos.
Casal de Araras-Azuis

Nossa viagem ocorreu entre os dias 01 e 05 de novembro, época de seca e se concentrou no Pantanal Norte em uma área conhecida como Transpantaneira,uma estrada de terra que sai do município de Poconé (114 km de Cuiabá) e segue por aproximadamente 140km até Porto Jofre,ainda no estado do Mato Grosso.Reservamos ainda um dia para conhecermos a Chapada dos Guimarães,distante aprox. 70km de Cuiabá e que possui uma vegetação típica de cerrado, fato que nos permitiria observar algumas espécies tipicas deste bioma.


Os planos e preparativos para esta aventura começaram muito tempo antes quando tive contato com um post no blog da fotografa Silvia Linhares, onde ela descrevia de forma empolgante a sua viagem acompanhada por mais 02 amigas a esta área de pantanal.Logo depois soube que um amigo fotografo e apaixonado por aves, o Luciano Monferrari, havia feito esta viagem e se valeu de muitas das informações fornecidas por ela.Com as informações fornecidas por ambos comecei a montar o meu roteiro,enviei e-mails a algumas das pousadas e locais indicados solicitando informações sobre opção de day-use ou hospedagem e infelizmente não recebi resposta da maioria.
Com algumas opções em mãos e um roteiro pré-elaborado lancei um convite aos amigos do GRIFOO e de pronto tive a resposta do meu grande parceiro de aventuras, Peterson Bachin e logo depois do jovem Marcelo Haeitmann, ainda iniciante no birdwatching mas disposto a encarar os desafios de uma jornada como esta.


Eu e o Marcelo momentos antes do embarque.Menos o Peterson
que não estava no Canadá,mas não quis sair mesmo...

Decidimos por seguir até Cuiabá de avião e alugarmos um carro, optamos pela Referencia Rent a Cars, que havia sido bem cotada pela Silvia mas que infelizmente não agradou ao Luciano, devido a uma pratica não muito transparente usada por eles.Entregaram o carro a ele e só passaram a vistoria feita nas partes "visíveis"  do veículo mas na devolução disseram que fariam a vistoria na parte de baixo do carro também (?????) e vieram com uma conta extra referente a troca do tanque de combustível que estava amassado por alguma pedrada (fato quase impossível de se evitar em uma estrada como a Transpantaneira).
Bom...achamos melhor nos precaver e com uma lanterna nas mãos vasculhamos o carro em busca de qualquer coisa que pudesse ser usada contra nós, descrevendo ao atendente até as marcas de pés que haviam no carpete do carro ,pois eles dizem que dependendo do estado de limpeza do veiculo podem cobrar até R$ 150,00 pela lavagem do mesmo. Deixamos tudo registrado e no contrato havia a clausula (grifada) em que seria cobrado R$ 20, 00 pela lavagem do veículo em condições normais de limpeza.Antes de sairmos de Poconé passamos em um posto para abastecer e deram aquela ducha free no carro, além de uma boa limpeza interna feita pelo Marcelo ainda na pousada.No caminho de volta pegamos chuva e o carro chegou a locadora com a parte externa suja (que novidade né?) e acabaram cobrando R$ 25,00 pela lavagem além de uma "taxa de contratação pela web" (????) que elevou o valor total em R$ 50,00.Por estas e mais outras não recomendo esta locadora a mais ninguém.
Partimos para Poconé e ficaríamos hospedados na pousada Pantaneira, localizada no km O da Transpantaneira.A pousada é bem simples, mas seus quartos são limpos, bem arrumados, com boas camas e internet Wi-Fi free disponível, AR CONDICIONADO e um café da manhã (fraquinho) que só começa a ser servido após as 6:30hs, o que para nós era muito tarde portanto no 1º dia optamos por sair bem cedo e rodar pouco, voltando umas 9:00 para tomarmos um café na pousada.

NOSSO 1º DIA NA TRANSPANTANEIRA

O Sol nascendo no Pantanal, uma visão única!

Por indicação do pessoal da pousada levantamos as 5:00hs mas ainda estava muito escuro e tivemos que aguardar até quase as 6:00hs para que tivéssemos alguma luz para fotografar.

Marcelo, Peterson e eu marcando o início de nossa aventura.

Logo nos primeiros metros da estrada fomos recebidos por um Gavião-Carrapateiro que passou voando tranquilamente sobre nossas cabeças e já começamos a ficar empolgados.Entravamos no carro e assim que começavamos a andar uma nova espécie era avistada, fazendo com que parássemos novamente.


Só para se ter uma ideia de como foi isto neste primeiro dia fotografamos quase 60 espécies, avistamos e ouvimos dezenas de outros. Durante uma destas paradas acabamos conhecendo um simpático casal a bordo de um Toyota Bandeirantes todo adaptado e após alguma conversa descobrimos que já nos conhecíamos "virtualmente". Trata-se do Renato e da Gabriela, proprietários da Reserva Rio das Furnas em S.Catarina.
Estavam retornando de uma viagem de quase 2 meses pelo Amazonas, mais precisamente percorrendo a Transamazônica, fotografando a Natureza e levando o Projeto Roda de Passarinhos as crianças de varias comunidades indígenas pelo caminho.Na volta resolveram dar uma esticadinha e conhecer a região de Poconé e para nossa sorte acabamos nos encontrando.Depois de quase uma hora de conversa, troca de informações, de conhecermos a sua "casa-móvel" e pousarmos para aquela foto, seguimos adiante.

Eu, Peterson, Renato, Gabriela e Marcelo

Durante todo o trajeto da Transpantaneira encontramos diversas pontes de madeira que nesta época de seca passavam por sobre pequenas poças de água, com exceção da 3ª ponte que se projetava sobre um alagado bem maior.Paramos para fotografar algumas aves (Garças e Maçaricos) mas acabamos encontrando dezenas de Jacarés.

Eu e Peterson fotografando na 3ª ponte
Foto: Marcelo
Garça-Azul


Este é um ponto que recomendo a todos conhecerem pois sempre acabava rendendo alguma surpresa.Tanto que todos os dias acabamos parando por lá para algumas fotos,em um dia foi um Martim Pescador Grande, em outro uma Garça-Azul e em outro uma Ariranha.


Mas voltando aos jacarés...acabamos vendo um animal de tamanho considerável saindo da água e não pensamos 2 vezes em nos aproximar e conseguir algumas fotos incríveis deste belos repteis.

Eu e Peterson fazendo um social com o jacaré.
Foto: Marcelo

Nestas horas vale (quase) tudo para se conseguir aquela foto e deitar no chão pode ser uma boa pedida, mas sempre com a Prudência necessária,afinal são animais selvagens e NÓS é que estamos invadindo o seu habitat.
Eu usando a técnica de isca "morta" para atrair jacarés...



Você não irá encontrar muitas opções de locais para comer ou beber na estrada e a 1ª opção será no Km 32 em um pequeno bar.O local merece uma parada mesmo pois além de abastecer-se você poderá fazer fotos incríveis Gralhas, Cavalarias e Aracuãs que disputam avidamente um lugar no pequeno bebedouro construído em frente ao bar.



Aracuã-do-Pantanal (Ortalis canicollis)


No restante do percurso a paisagem vai ficando até monótona mas as aves e outros animais sempre surgem onde você menos esperar.Permanecemos até quase 18:00hs na estrada e voltamos para a pousada exaustos,famintos e com os cartões de memoria abarrotados de imagens.



Papa Formigas vermelho

Gralha-do-Pantanal


Peterson aproveitando as últimas luzes do dia.
Carão

Rolinha Vaqueira

Garça-Real

Maçarico-Real (Theristicus caerulenses)

Búfalo se refrescando em um dos banhados



E agora vem uma outra parte não muito satisfatória neste local...a alimentação!
Na pousada em que ficamos não dispúnhamos de restaurante então tínhamos que ir até o centrinho do local e as opções eram escassas.A única opção de restaurante era o Tradição que servia Pizzas, Pratos a La Carte e Comercial por preços um pouco salgados para o local.A comida é boa e o atendimento cortes, além do ambiente com ar-condicionado (imprescindível).Fora isto apenas alguns trailers servindo lanches duvidosos, espetinhos e alguns salgados.

2º DIA - POUSO ALEGRE LOUNGE

Durante o planejamento da viagem entrei em contato com a Pouso Alegre Lounge e solicitei informações sobre Day-Use e recebi a resposta do Luis que administra o local,de que não trabalhavam com esta opção mas que como estavam encerrando as suas atividades nos próximos dias, eles abririam uma exceção e nos apresentariam o local.
Saindo da estrada após a porteira do local são 7km em uma estradinha de acesso a Pousada e este é um local incrível para se fotografar não apenas aves, mas também animais, plantas e insetos diversos.Tivemos a oportunidade de encontrar e fotografar Cervos do Pantanal, um Macaco Bugio e um simpático Tatú-Peba que resolveu "empacar" na estrada em frente ao nosso carro,após uma operação de resgate posou para uma foto ao nosso lado e seguiu viagem.

Foto: Marcelo Haietmann

Macaco Bugio

Cervo do Pantanal

Tatu-Peba
Marcelo, Tatu, Peterson e eu em momento de celebridades.

Neste local também pudemos presenciar um espetáculo inédito para nós, dezenas de borboletas se amontoavam ao redor de pequenas poças d´agua na estrada e saiam em uma revoada belíssima quando nos aproximávamos.

Centenas de coloridas borboletas se aglomeravam ao redor das poças d´agua.
Parecia uma cena das "Cronicas de Spiderwick"

Seguimos até a sede da pousada e fomos recebidos pelo Luis que acompanhava alguns hospedes estrangeiros, após algumas informações sobre espécies que costumam frequentar o local e prováveis localizações saímos a procura e logo surgiram grandes surpresas!
Enquanto tentávamos fotografar um João do Pantanal gravamos o seu som e tentamos atraí-lo para um local aberto, aconteceu que começou a responder ao nosso "chamado" e parecia então haver 2 indivíduos no local.Logo em seguida percebi uma outra ave se aproximar de nós e achei ser uma rolinha bem pequena, mas na verdade tratava-se de um Caburé!

João-do-Pantanal (Synallaxis albilora)

Caburé (Glaucidium brasilianum)

É difícil descrever a emoção que todos sentiram pois nenhum de nós ainda havia visto este belo animal ao vivo. Sempre ouvi histórias sobre esta ave, seu comportamento agressivo, como costuma predar aves bem maiores que ele e principalmente...como é pequeno!Difícil acreditar que aquela corujinha menor que um Pardal possa ser tão temida e é mesmo, pois diante de sua aparição a mata se agitou.Diversas espécies saíram de seus esconderijos, algumas fugindo e outras tentando espantar o invasor e esta foi a nossa chance de realizar fotos incríveis.
Voltamos a pousada para almoçar e saímos em busca do ninho da Jacurutu que andou frequentando uma arvore próxima a sede, mas não demos sorte e resolvemos seguir viagem e tentar mais fotos na Transpantaneira. E conseguimos!!!

Martim-Pescador pequeno almoçando um girino considerável.

Gavião-Belo (Busarellus nigrocollis)

Arapaçu do Campo (xiphocolaptes major)

Cavalaria (Paroaria Capitata)

Arara-Azul Grande (Anodorhynchus hyacinthinus)

Ariranha

Japacanim (Donacobius Atricapilla)

Mutum de Penacho-casal (Crax fasciolata)
Falta agora os nossos outros 2 dias no Pantanal! (continua...)

7 comentários:

  1. Excelente viagem e postagem. Gostei muito. Valeu.

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  2. Olá Pompeu!
    Lindíssimas essas fotos!
    Vc acredita que na nossa visita ao Pantanal, fez um frio tão grande, mas tão grande, que muitas cabeças de gado não resistiram ao frio intenso e morreram?
    E o Pantanal nos ficou devendo o tão famoso (e pude ver pela sua linda foto) pôr do sol pantaneiro...
    Ri muito com a parte do "Spiderwick" e a "isca de jacaré"??? Que é isso, que medo!!! rsrs...
    Um abraço!
    Marcia

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    1. Marcia, eu acredito que o Pantanal nos prega estas peças para que tenhamos que voltar lá novamente! Nós também não vimos os ninhais, a onça e principalmente...as águas.Estava tudo muito seco, por isso estou planejando voltar em agosto, pois dizem ser a melhor época no local.
      Quanto a isca de jacaré, estava tudo sobre controle,eu consigo levantar e sair correndo em uma velocidade sobre-humana...rsrsrs.
      Abraços para a família!
      Pompeo

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  3. Excelente relato meu amigo, uma viagem que um dia terei o luxo de fazer... rs
    parabensss lindass fotoss

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  4. Parabéns...excelente postagem.
    Sabe me dizer se a estrada é boa para carros pequenos?
    Abraço!

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    1. Olá Fabricio,
      Nos fizemos toda a viagem em um Palio 1.0 (com ar) e não tivemos problema em nenhum trecho, mas vale lembrar que era a época de seca.
      Pode ser que na cheia a situação mude bastante.
      Abraço.

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